O governo distrital de Mocímboa da Praia acusou a Civitas Partners Group, concessionária do Porto de Mocímboa da Praia, de práticas que estão a agravar a crise de abastecimento de combustíveis no norte da província. A denúncia surge após o corte de subsídios ao transporte de combustível pela multinacional TotalEnergies, no início de 2024, situação que já afetava a região.
Em uma entrevista à Zumbo FM Notícias, nesta segunda-feira, 28 de abril de 2025, o administrador distrital Sérgio Cipriano destacou que os preços praticados pela Civitas estão a ser um grande obstáculo para os operadores locais.
“Infelizmente, o porto já não cumpre a função esperada de abastecer toda a região norte. Cedemos à Civitas Partners Group, os depósitos de combustíveis anteriormente sob gestão da Petromoc, com a expectativa de que os mesmos servissem toda a zona norte. Contudo, isso não está a acontecer. Há um choque de preços: a Civitas está a vender o litro de gasóleo a 104 meticais, enquanto nas nossas bombas o preço varia entre 102 e 103 meticais. Os agentes económicos questionam: 'Como podemos comprar a esse preço e revender com lucro?', como pode ver, a Civitas criou uma barreira à funcionalidade do mercado de combustíveis na região", disse Cipriano, demonstrando preocupação com a falta de acesso ao combustível a preços viáveis.
Apesar de o porto estar em funcionamento e com movimentações regulares de navios, especialmente para o distrito de Palma, onde operam megaprojetos como os da TotalEnergies, Cipriano lamenta que a infraestrutura já não esteja a cumprir a sua função original de abastecer toda a zona norte, como previsto inicialmente.
De acordo com Cipriano, a Civitas Partners assumiu a gestão dos depósitos de combustível anteriormente controlados pela Petromoc, com a promessa de garantir o abastecimento para toda a região norte. No entanto, a falta de acesso ao combustível e os elevados preços praticados estão a excluir os pequenos operadores locais.
O administrador também fez uma crítica à falta de concorrência no mercado de combustíveis na região.
"Nós entendemos que a Civitas está operando sozinha, sem concorrência, o que poderia consolidar o mercado, mas ao mesmo tempo, assegurar o mercado. Não sei se vende para uma empresa. Porém, as pequenas gasolineiras que operam na zona norte não concordam com o preço estabelecido pela Civitas, e é por isso que a empresa não tem clientes e não há demanda", afirmou Cipriano.
Apesar das dificuldades no acesso ao combustível, Cipriano confirmou que o Porto de Mocímboa da Praia continua a registar movimentações regulares de navios logísticos, especialmente associados aos projetos de gás natural em Palma. Estes navios abastecem-se no porto e seguem para as bases operacionais das multinacionais, como a TotalEnergies.
A vila de Mocímboa da Praia, situada a cerca de 70 quilómetros ao sul do projeto de gás natural de Afungi, liderado pela TotalEnergies, continua a enfrentar grandes desafios no abastecimento de combustíveis. A região também se encontra perto da concessão da petrolífera italiana Eni, que explora petróleo e gás.
A crise de abastecimento de combustível permanece um dos maiores obstáculos para os pequenos comerciantes da região. A dependência da logística marítima e os custos elevados de transporte dificultam a distribuição regular de produtos essenciais, agravando ainda mais a situação.(x)
Por: Bonifácio Chumuni
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